Aranha no Peru - Diário de Viagem


20º dia - Cusco
Dia livre, clima de despedida...

PLAZA DE ARMAS

Tô apaixonado pela Plaza de Armas de Cusco. Nada se compara àquilo que eu senti em Arequipa (foi realmente especial), mas aqui é um lugar mágico e também único.


Nesta praça eu ri à toa, eu chorei à toa, eu me alegrei e me entristeci, eu fiquei na dúvida e me entendi, eu observei e admirei... Eu me senti mais vivo e pertencente a este universo do que nunca!


Imagem da Catedral principal de Cusco. Há duas catedrais somente na Plaza de Armas.


Olha essa ruazinha, que charme.......


E a menina, que encantou meu fim de tarde brincando enlouquecidamente à frente do chafariz onde fiquei sentado.


Vista noturna da praça...


...e vista daquela cruz lá em cima, abençoando a cidade.


Eu estou realmente MUITO FELIZ AQUI!!! Não quero ir embora....... :-(


MUDANÇA DE HOTEL

Chega de "luxo"! Cansei de ficar nesse quartinho sozinho, onde pude deixar tudo espalhado sem ficar me preocupando com lockers e cadeados. Resolvi que vou sair deste hotel e passarei meus últimos dois dias de Cusco...


...no Albergue Municipal, a três quadras da Plaza de Armas. Vou para um pouco mais longe mas volto ao espírito de toda a viagem: ficar numa hospedagem cheia de viajantes como eu. Valeu muito a pena, pois em menos de um dia eu já tinha conhecido mais umas 10 pessoas.


YEAH!
- "Yeah!" e interjeicao usual no Peru. Alias, o inglês aqui é muito comum. E os peruanos também têm o péssimo hábito típico dos brasileiros (especialmente cariocas e paulistanos) de, freqüentemente, colocar uma palavra em inglês no meio de uma frase na língua local. AAAAHH!




19º dia - Cusco
Ciensiano desde criancinha

JOGO NO DOMINGÃO

Conforme planejado, hoje é dia de ir ao Estadio Monumental do clube Ciensiano (foto), aqui mesmo em Cusco, para assistir a uma partida contra um outro time do norte do Peru. O Ciensiano é o clube tradicional de Cusco. Em geral, quem vem aqui volta com uma camisa do clube para seu país.

O jogo foi uma pelada fenomenal! Acho que eu, o mais perna-de-pau que conheço, faria melhor se entrasse em campo. Deu pra ver que o forte aqui não é o futebol... Mas o Ciensiano ganhou de 4x1. O quarto gol, acredite, foi exatamente assim: bola na mão do goleiro. Um jogador chega e "rouba" a bola dele. Gol.

- Engraçado como eles dizem "juiz ladrão" aqui: é "ARBITRO BASURAAAA!!!"
- Gostei de um detalhe: no intervalo do jogo, toca música bem alta no estádio. E as pessoas cantam, dançam, se empolgam.
- Não se pode entrar no estádio com jornal. Botar fogo na arquibancada estava virando moda e então foi criada esta norma de segurança.


SE FOSSE NO BRASIL, EU TERIA APANHADO
Saindo do estádio, vivi mais uma situação arriscada e horrorosa para quem está sozinho em outro país. Lá estava eu com a recém-comprada camisa do Ciensiano, voltando do jogo, tranqüilo (afinal, pensei, todo mundo aqui torce para o Ciensiano). E, no estádio, realmente só tinha torcedor do Ciensiano.

Mas como eu fui a pé (cerca de 3km de distância), no caminho de volta passei na porta de outro estádio, menor, no qual estava acontecendo o jogo do time junior do Ciensiano. Até aí, ótimo. Mas o jogo era contra outro time com torcida muito forte por aqui também!

Eu passei na porta exatamente no momento em que o jogo estava acabando. E o outro time tinha PERDIDO pro Ciensiano. AAAAAAHHHH!!! Foi muita tensão. Precisei até correr, depois de umas caras feias, inícios de rodinhas em volta de mim e diversas ameaças em Espanhol, que eu nunca vou saber o que significaram.

Me safei. Com muito jogo de cintura, mais uma vez. Nada demais, para quem acaba de sair de uma renovação espiritual incomparável como é ir a Machu Picchu. Mas sei que, se fosse no Brasil, eu teria apanhado feio. E tô rindo muito de tudo isso agora.


RÁPIDAS
- Hoje tomei café-da-manhã ao lado de dois soldados do exército (um casal), fardados e, claro, muito bem armados. Cena, pelo que percebi, bem comum aqui. E bem diferente do Brasil, onde quase não vemos o Exército. A mentalidade de que as Forças Armadas fazem parte da vida é bem notável aqui no Peru.

- Hoje eu almocei com um gato no colo. Durante todo o almoço ele tentava sorrateiramente roubar a comida do meu prato. Foi uma engraçada luta constante para ver quem era mais rápido. E aí fiquei pensando... Será que se eu não estivesse sozinho conseguiria fazer isso, sem que a companhia ficasse reclamando de cada pequena coisa esquisita (ou "excêntrica", pra ficar mais bonito) que eu faço ou gosto? Estar sozinho tem muitas vantagens... Só encarando pra descobrir!

- Neste mesmo almoço, graças ao fato de eu estar com a camisa do Ciensiano, ganhei mais batatas fritas do garçom. Iniciativa dele, que inclusive fez questão de falar: para um torcedor do Ciensiano, "hay más papas!" :)

- Veja a cabine de onde os últimos posts deste gigantesco diário têm saído:




- E veja mais um amigo que acabo de fazer aqui no Peru. Ele é paradão, mas é gente boa!




Gastronomia e etc. no Peru
Algumas curiosidades, vistas de maneira bem informal (como é a proposta deste diário), sobre comer e beber por aqui


- Esta acima é a minha queridinha no Peru. Inca Kola. Refrigerante do Peru, fabricado no Peru, e pelo visto muito apreciado por aqui. Dizem nas esquinas que este é o único país do mundo em que uma bebida local vende mais que a Coca-Cola (que também tem em todo lugar). A Inca Kola tem essa cor mesmo, amarelo-fluorescente de marca-texto, e existe há 70 anos. Estou tomando direto (acho que até me ajudou a curar a Salmonella), e vou levar pelo menos uma garrafa pro Brasil.

- Refrigerante gelado é coisa rara por aqui. Cubos de gelo, então, praticamente não existem. É bem comum você pedir uma Inca Kola e o cara tirar a garrafa do armario e servir para voce assim mesmo, ao natural.

- Os canudinhos no Peru sao mais gordos. Sempre.

- Se voce pede um hamburguer com batata frita, muitas vezes as batatas vêm no meio do hamburguer, junto com a carne e o queijo. Esquisito! :-)

- Falando em hamburguer, quase nao ha a praga do Mc Donald´s no Peru. Uma maravilha! Eu so vi um ate agora, em Lima.

- Aqui ha dois tipos basicos de cafe-da-manha: o "continental" e o "americano". O continental se resume a pão, manteiga, geléia e café com leite ou suco. O americano traz "tudo isso" mais ovos mexidos com presunto.


- Como no Chile, o Peru também tem produtos feitos a partir da fruta lucuma. E eu adoro lucuma! Voce conhece? Pena nao ter no Brasil...

- Se você vai num restaurante turístico e pede o cardápio, é tudo caro. Mas experimente pedir o "menu do dia". "Menu" significa: entrada + sopa + prato principal, geralmente já acompanhado de refresco. Às vezes vem até a sobremesa. Foi com este segredo em mãos que eu passei a almoçar por 4 ou 5 reais desde a metade da viagem.

- Falando em sopa: nunca tomei tanta sopa na minha vida. Os peruanos adoram! Tudo tem sopa como abertura.


- Ainda na sopa... Já tenho uma predileta: sopa de quínua (um cereal unico aqui do Peru, muito gostoso!). Além da lúcuma, eu quero quínua no Brasil também.........

- Tem outro item exclusivo do Peru que eu adoro: "cebolla roja". É uma cebola com casca roxa, menos forte e muito saborosa!


- Outra coisa que só vi aqui. Produto industrializado. É o "leche evaporada", um leite desidratado que nao existe no Brasil. Não é em pó, é leite concentrado mesmo. Você mistura com água quente e está pronto. Uma delícia! O mesmo é feito com o café.


QUE FOME!
Depois desse papo, vou sair para comer alguma coisa (aliás, não sei o que acontece, mas aqui eu sinto fome - e muita! - de meia em meia hora! É impressionante! Será o frio? Será o novo condicionamento físico? Será a distância do estresse do trabalho?


Veja só esta foto. Simboliza bem o tipo de lugar em que eu adorava comer aqui no Peru. Simples, rústico, autenticamente peruano. E, em primeiro plano, o tigelão de sopa que sempre inicia as refeições aqui.

Amanhã tem mais novidades, direto de Cusco, Peru! :-)




Ainda no 18º dia... - MACHU PICCHU


Machu Picchu é maior e melhor do que qualquer palavra ou foto pode transmitir. A sensação que eu tinha no exato momento em que fui surpreendido por este abençoado fotógrafo é inesquecível e inexplicável.



Machu Picchu foi descoberta somente em 1911, pelo historiador americano Hiram Bingham. Era habitada pelos incas. A civilização inca, em seu tempo áureo, chegou a ter 10 milhões de habitantes, que se espalhavam pelo Peru, Bolívia, Argentina, Chile e Equador. Até a chegada dos espanhóis, no século XVI, que devastaram o que por aqui havia e se instalaram em todo o território.

Menos na cidade de Machu Picchu, que ficou intacta. Mais um mistério que colabora com o misticismo e magia deste lugar... Viaje nas fotos!








Pois é, o sol abriu e aqui então vivi uma das tardes de sábado mais especiais de toda a minha vida. Não dá para explicar: venha e sinta. Mas venha sem mil expectativas, pois aqui não é lugar de gente que pede, e sim lugar de gente que se abre - especialmente para receber aquilo que nem sabe que precisa.


CURIOSIDADES



Bichos de todo tipo são muito comuns aqui. E as lhamas, alpacas e afins, além de passearem calmamente pela cidade ao lado dos turistas (apesar de alguns bobões se assustarem), são responsáveis pela limitação da vegetação que cresce pelos caminhos. É engraçado porque elas saem em grupo (como na foto) e vão juntas para determinado ponto. Chegando lá elas destroem, em minutos, com generosas bocadas, as plantas mais invasivas do espaço comum.


Bem escondidinha, perto do final da cidade, há esta pequena gruta escondida. Vale a pena ir lá (quase ninguém passa por aqui). Cuidado para não escorregar!


Exemplo de como deviam ser, no passado, as coberturas das construções incas. Esta é utilizada pelo órgão administrador que cuida de Machu Picchu.


Ao fundo, a famosa montanha de Wayna Picchu. De lá, depois de uma trilha de 1 hora, se tem uma vista memorável de Machu Picchu. Não estive lá, queridos leitores, pois preferi dedicar minhas horas a este chão tão abençoado em que estou. Mas muitos afirmam valer a pena. Há também, há meia hora de caminhada para o outro lado, a "Puente de Los Incas". Também não fui, mas também deve ser bonito.


"Que la paz prevalezca en la tierra". Este marco faz muito sentido aqui.


PARA TURISTA VER


Lado chato da fama de Machu Picchu: um lugar tão especial (exatamente por ser intacto) acaba se transformando em coisa comercial. Felizmente, isto se limita à entrada da cidade (foto), com lojas que cobram no mínimo 10 soles por um refrigerante.

Tem o lado bom: ordem, para que a visitação em massa não vire bagunça. Além de limitar a entrada diária de turistas a 500 visitantes, é obrigatório deixar as mochilas grandes aqui na entrada, para que o peso excessivo não prejudique a preservação do terreno milenar de Machu Picchu.


AGUAS CALIENTES

Esta é Aguas Calientes, a cidadezinha que fica ao pé de Machu Picchu (meia hora num mini-ônibus). É aqui que se dorme quando se faz a trilha com opção de 5 dias (e não quatro, como eu fiz). É aqui que se encontra centenas de opções de lojinhas para comprar bugigangas. É aqui que se cobra caro, muito caro, por qualquer coisa. É daqui que sai o trem de volta para Cusco. E é aqui que grupos e mais grupos se entreolham, românticos e estupefatos, numa sensibilidade e inspiração que só existe num recém-saído de Machu Picchu.


O TREM DE VOLTA

Para quem não sabe, a trilha para Machu Picchu é só de ida. Todo mundo volta de trem (que está sempre incluído no preço pago pela trilha). Para quem não quer fazer a trilha, pode-se vir de trem também. Mas acredite: perde metade da graça.

Neste trem, conheci um grupo de francesas e rapidamente o papo se alastrou e criou-se instantânea amizade entre pessoas de mais de dez países diferentes. Era meio vagão inteiro se falando - capitaneados, é claro, pelos latinos: eu e as argentinas.


Eu queria, de coração, que aquela viagem de trem durasse dias... Mas infelizmente ela se passa em poucas horas. Na foto, uma quase-sósia (forçando bem a barra) francesa da Drew Barrymore. ;-)

A noite em Cusco foi regada por papos e gargalhadas, em grande grupo, na gelada Plaza de Armas e nas boates que as cercam. Até amanhã!




18º dia - MACHU PICCHU
quarto e último dia da trilha inca

Começou o último trecho da trilha! É madrugada ainda, e a minha lanterna de 5 soles comprada em Cusco - indispensável para que eu pudesse enxergar o caminho - já deu defeito. Fui no rastro da luz dos outros...


Esse bando de gente na foto é apenas parte da multidão de pessoas (grupos de todas as agências reunidos) que vão caminhar os últimos 6km que faltam para Machu Picchu. A fila é por causa do último posto de controle do governo peruano, que nos exige a apresentação do ingresso à trilha inca.


Enfim, 6km depois, amanheceu. A imagem acima é uma das mais emocionantes, pois significa que depois de 38km você está a apenas vinte passos de Machu Picchu.


Como o tempo estava totalmente encoberto, com muita neblina, não deu para ter a impactante vista de Machu Picchu, chegando na cidade... ;-)


Em 15 minutos, a neblina deu uma trégua. E esta foi a primeira visão que tive de MACHU PICCHU!!!


Entramos na cidade. A neblina está trazendo um charme muito especial porque ainda não dá para ver direito o que há 50 metros à frente, o que acaba escondendo (por enquanto) a grandiosidade deste lugar.


TRABALHO INTERROMPIDO
Machu Picchu foi abandonada pelos incas, até hoje não se sabe porquê. Há teorias que afirmam que foi para manter a cidade sagrada intacta com a invasão dos espanhóis (deixá-la escondida e solitária seria a garantia de preservação do local).

Há também quem diga também que o motivo foi uma doença contagiosa e que teria tomado toda a população da cidade. De qualquer maneira, até hoje se vê o trabalho de engenharia dos incas interrompido no meio. Machu Picchu ia crescer ainda mais!


Estas fendas eram o início do trabalho de preparação das pedras para utilização em novas construções (que nunca chegaram a ser feitas...)


Pedras que aqui ficaram, para um dia serem trabalhadas...


...e um exemplo de como elas provavelmente seria utilizadas pelos incas.


Mais pedras que ainda iriam ser trabalhadas em construções.


TEMPLO DO SOL

O "templo do sol", visto de fora...


...e de dentro. No dia do solstício de inverno (21 de junho), o sol passa por este buraco e ilumina exatamente uma figura desenhada na pedra à espera dele.


É PRECISO GUIA?
Se sentir (SENTIR!) que deve, deixe o guia de lado e vá você mesmo descobrir e vivenciar Machu Picchu.


Veja parte do grupo prestando atenção à chata explicação do nosso guia, que está querendo aparecer mais do que a cidade.


E eu, sorrateiramente, indo embora e abandonando o grupo, porque tem muito o que descobrir aqui e eu não quero desperdiçar um minuto.


Janelão de um cômodo inca.


Porta do mesmo cômodo inca. Eles eram baixinhos... :-) O formato da porta em trapézio é parte do engenhoso sistema "anti-terremotos".


Esta pedra tem mais de 15 cantos (quinas). Impressionante o recorte, que encaixa perfeitamente com todas as outras!


FOTOS SEM LEGENDAS
As fotos falam por si só, então, aproveite.......















































VISTA
Algumas das belas vistas daqui...







MANHÃ TERMINANDO...

A manhã está chegando ao fim, mas ainda tenho umas quatro horas em Machu Picchu. Depois de tantas imagens maravilhosas, o sol começou a abrir... No próximo post, mais lindas fotos deste maravilhoso e inesquecível lugar - MACHU PICCHU!




Ainda no 17º dia... - Trilha Inca
(terceiro dia de caminhada)

WIÑAYWAYNA

Não bastou o maravilhoso dia de caminhada e o recompensante banho quente aqui no acampamento. O terceiro dia de trilha ainda guarda um presente (o maior de todos para mim, até agora): Wiñaywayna, mais uma cidade inca, a 2700m de altitude - e a CINCO minutos de caminhada desde a minha barraca.




Wiñaywayna, em quéchua, significa "para sempre jovem". Foi assim mesmo que eu me senti aqui. Aliás, não foi só isso que eu senti... Aqui fiquei muito emocionado.

Não só com a beleza da vista e a impressionante arquitetura, mas principalmente com a inexplicável energia que toma o espírito neste lugar. Basta caminhar neste chão para contemplar esta sensação única!


Um cômodo de uma das casas incas...


...e a modesta vista de sua janela.



Veja este complexo sistema de distribuição da água. Ela vai caindo, pouco a pouco, em cada um destes quadrados. Deles, a água é distribuída para as plantações. E também continua descendo...


...até aqui embaixo. Funciona até hoje! É muito interessante, e vale a pena renovar o espírito lavando o rosto nesta água puríssima, vinda direto das nascentes da floresta.



Esta foto parece mentira... Mas é bem real: uma linda cachoeira, visível daqui porém inacessível, no meio da mata fechada.



Vista mais próxima das construções de Wiñaywayna, ao lado dos degraus especialmente construídos para a agricultura.


Veja como a cidade, para existir, realmente corta o meio da mata fechada (lembra a foto que eu havia tirado, lá de longe?).


Nesta parede é possível perceber bem a inclinação necessária para a preservação das construções diante dos tremores de terra.


Olha a cor das pedras!


Bem no meio da foto, um ralo para escoar a água de dentro da casa inca.


Tchau, Wiñaywayna! :-)


ÚLTIMA NOITE
Chegou a hora. Depois de momentos tão especiais em Wiñaywayna, vamos descansar porque amanhã é dia de MACHU PICCHU! E precisamos acordar às 4h.


Os portadores se despediram de nós, um a um, pois amanhã de manhã, enquanto estivermos indo para Machu Picchu, eles estarão voltando para casa. Afinal, não precisamos mais de acampamento nem comida. (Eles não precisam andar tudo de volta. Só caminham daqui em direção à linha do trem, a cerca de 1h, para então voltar a Cusco.)




17º dia - Trilha Inca
terceiro dia de caminhada


Começamos cedinho, antes do sol, e já pegando pesado. Uma subida bem íngreme (porém curta). Este pedaço de bambu, que eu comprei a 2 soles antes da trilha, foi minha bengala companheira. E ajudou bastante!


Não me dou bem com subidas. Rapidinho, todos do grupo me passaram...


Uma meia hora depois, ele apareceu. O SOL!


A primeira ruína inca do dia, vista de cima. Segundo o guia, um posto de controle da trilha. Eu prefiro imaginar que era simplesmente um local de contemplação desta inacreditável vista. E não deixava de ser mesmo...


No meio do caminho, este laguinho. GELADO!


Foi só subir mais um pouco e chegamos ao topo da montanha. Diz o guia que, de agora até o fim do dia, é só descida. (ah, repare na camisa: Inca Kola no peito!)




Veja o formato desta flor. É uma pequena bota!


Estudando os próximos passos...


SAYAQMARKA


Ruína inca de Sayaqmarka.


Dá para perceber como as paredes são inclinadas para dentro? Isto é só parte da engenharia que permitiu às construções incas resistirem aos grandes terremotos que já aconteceram em todo o Peru. Enquanto isso, edifícios modernos estão rachando e desabando por aí...


Daqui de cima, vemos mais uma ruína. Bem no meio da foto. Vamos passar por ela daqui a pouco.


IMAGENS DO CAMINHO





Lá embaixo, bem no meio, está novamente ele: o Rio Urubamba.


TRILHA E PONTE

Mais uma foto da série "como é, efetivamente, a trilha?"


Mais uma ponte charmosa no meio do caminho.


PARADA PARA LANCHE

Mais ou menos ao meio-dia, paramos num local paradisíaco para um lanche. Sempre com diversos tipos de chá (incluindo, é claro, a coca).


Vista da nossa mesa de lanche. As tendas são de outros grupos que preferiram almoçar logo.


Meu companheiro, muito presente, junto comigo acima das nuvens.


MAIS RUÍNAS


Duas fotos de outra mini-cidade que visitamos, também no caminho.


Coisa muito legal durante a trilha é ser surpreendido, quando menos se espera, por ruínas incas. Como este pequeno posto de controle, até meio escondido. (Ah, esse menino fez questão de ficar pra foto.)



Você se surpreende também com a vista destes dois enormes campos de agricultura, que estou vendo de bem longe. O guia avisou que nosso próximo acampamento fica bem próximo de um deles. Este da segunda foto é impressionante. E é assim mesmo como você vê: quase vertical.


ACAMPAMENTO DO 3º DIA

Depois de mais de 12km de saudável caminhada, chegamos ao nosso último acampamento. Confira a vista que eu tenho de dentro da minha barraca...........


Este é o acampamento mais estruturado e, por isso mesmo, mais sem-graça. Aqui tem um restaurante, banheiro, lojinha, até museu. Descaracterizou um pouco a boa sensação de isolamento da trilha, mas tem sua compensação: pude tomar aqui o meu primeiro banho. Ah, são 5 soles por um chuveiro quente. E se você pretende comer aqui algo além do que sua agência oferece, prepare-se: os preços são ABSURDOS! (veja na foto)


Que emoção ver este marco... Ela diz: "Machupicchu a 6km". Falta pouco, pouquinho... Amanhã a gente continua.




16º dia - Trilha Inca
segundo dia de caminhada


Acordamos às 4h da manhã com uma grata surpresa: ainda dentro do saco de dormir, chá de coca quentinho levado pelos nossos guias diretamente em nossas barracas. Bom para começar o segundo dia de trilha que, conforme rezava a lenda, é realmente o pior de todos.


Bom caminhar ao lado deste riacho... Aqui fiz questão de ir bem devagar... :-)


PORTADORES
Na trilha inca existe uma profissão chamada "portador". São carregadores de peso que ganham muito mal e levam nas costas tudo o que você pode imaginar: barracas de acampamento, panelas, cadeiras, mesas, comida, bebida e até bujões de gás. É quase escravidão, fruto da necessidade de muitas pessoas daqui de ganhar a vida de alguma maneira honesta.



Enquanto caminhando na trilha inca, você inevitavelmente se sente sempre o Rubinho Barrichelo. Porque portadores como os da foto de cima passam por você com o triplo da sua velocidade (e também o triplo de peso nas costas). É difícil entender como eles conseguem. Nas fotos você vê alguns dos simpáticos portadores que nos prestaram serviço, carregando tudo que foi necessário para nos atender durante estes quatro dias.


SUPERAÇÃO

Nossa, como eu me senti mal neste dia... A caminhada de 6km - a menor dentre os quatro dias porém a mais difícil - tira o fôlego mesmo dos mais bem dispostos. São 1.000 metros para cima, distribuídos num caminho que (só) aparentemente é tranqüilo.


Nesta foto, acompanhe o traçado da trilha com os olhos. Isto, depois de já caminhar horas, é o que ainda falta para chegar lá em cima, no pico de Warmiwanusca (4.200m de altitude). Acredito que o extremo cansaço e a falta de fôlego que senti durante esta subida sejam ainda fruto da altitude. Que, por mais que não me faça mais mal, ainda significa para o meu corpo uma deficiência de oxigenação, visto que aqui o ar é muito mais rarefeito do que aquele com o qual estou acostumado.


Uma hora depois, enfim, eu cheguei. Que alívio! Ao alcançar o topo, ouvi pequenos aplausos debochados (porém, na melhor intenção de brincadeira) por parte dos companheiros que tiveram mais fôlego (e velocidade) que eu.


Taí o grupo, todos juntos, num momento de muito companheirismo e alegria. Agachados, de chapéu branco e chapéu azul, nossos dois guias.


Olhando para trás... (viemos de lááá embaixo, mais ou menos na junção das duas montanhas, bem embaixo na foto). Detalhe importante: se esta grande subida está te fazendo pensar duas vezes se vai para a trilha ou não, fique sabendo: em nenhum momento a subida é ingreme a ponto de ser necessária a ajuda de cordas ou de outra pessoa. FAÇA A TRILHA!


Agora olhando adiante, mais uma vista inesquecível. Ponto positivo: agora, pelo resto do dia, só teremos descida!!! E os gringos que me "aplaudiram" já estão reclamando dos joelhos (que coisa, né? Pois os meus joelhos estão ótimos... Acho que agora teremos "a revanche do Rubinho!")



Impressionante! Repare na diferença de cor do céu entre uma foto e outra. Bastava olhar para a esquerda e para a direita. Confie nas lentes da minha companheira Fuji: ao vivo estava assim mesmo!


PARA BAIXO, TODO SANTO BRASILEIRO AJUDA

A minha praga boa se tornou realidade: olha a felicidade durante a descida. Tô deixando todo mundo pra trás... :-)


Que pontezinha especial... Foi uma das melhores paradas para água, biscoito, cereal e descanso.


ACAMPAMENTO DO 2º DIA

Por volta das 17h, chegamos! A minha barraca é a terceira, a mais próxima do despenhadeiro. Escolhi de propósito, para desfrutar de uma maravilhosa vista para as montanhas.


Três dos amigos da trilha. Evangelina (Argentina), Arjen (Holanda) e Yamile (Argentina). Todos muito gente boa! Estamos jantando para, amanhã, encarar mais de 12km de caminhada!


SERVIÇO:
- Observação para quem vai fazer a trilha: aqui NÃO HÁ competição. Isto de "deixar os outros para trás" é só uma brincadeira. Você faz o ritmo que quiser, anda até sozinho se preferir, e só precisa seguir as regras do grupo quanto aos locais para acampamento e encontros para lanches. VENHA!!! :-)




15º dia - Trilha Inca
primeiro dia de caminhada

Acordei às 7h da manhã. Um pouco nervoso, ansioso, sem saber identificar exatamente o porquê. Faltavam minutos para eu partir para a trilha inca, da qual já sinto que não vou sair sendo a mesma pessoa. Serão 4 dias caminhando cerca de 38 quilômetros com destino a Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas.


Este ônibus me recorreu e, com as mochilas no teto, partimos rumo a Llulluchapampa, no km 82 da estrada próxima a Cusco. É lá que começa a trilha. No caminho, rápida parada para abastecer o estômago em Ollantaytambo.


Ao chegarmos em Llulluchapampa, nova reposição de energia: nosso primeiro almoço, já preparado pela equipe de guias e ajudantes, minutos antes do início da caminhada.


Este é o ponto zero da trilha. Uma ponte sobre o Rio Urubamba (é, aquele mesmo em que eu fiz o rafting, só que em outro ponto bem distante). Durante todo o primeiro dia, você caminha sempre próximo ao rio, que nos brinda com sua beleza e nos refresca só com o barulho de suas águas. Que, depois, desembocam no nosso Rio Amazonas.


A TRILHA
Mas como é, efetivamente, a trilha? Lembro que, antes de sair do Brasil, procurei bastante no Google por fotos DA TRILHA. E nunca encontrei. As pessoas tiram fotos das paisagens, das ruínas, das pessoas e até dos animais. Mas não do chão onde se pisa.

Então, aí está: assim é A TRILHA. É por caminhos como este que você vai andar, se pretende percorrer o caminho inca de 4 dias.


Surpresa no caminho: um improvisado campinho de futebol! Provavelmente utilizado pelos povoados que beiram a trilha neste primeiro dia (por enquanto, não estamos em mata fechada). Ainda bem que ninguém ali percebeu que eu era brasileiro. Iam me exigir no mínimo dez embaixadinhas... :-)


LLACTAPATA

Pouco mais de duas horas depois, já a primeira ruína inca do caminho: a cidade de Llactapata, que só vimos assim mesmo, de cima e de longe. Suficientemente impressionante!


A vista é sempre muito bonita, uma montanha atrás da outra. Nesta foto, preferi dar constraste na que aparece por trás, tão majestosa quanto a primeira.


INTIMIDADE ESPONTÂNEA
Existem situações que, por sua própria natureza, têm o poder e a facilidade de criar espontânea intimidade entre seus participantes. Catástrofes, por exemplo: todos se unem em prol de um mesmo objetivo, em geral a sobrevivência.

Mas hoje descobri e vivenciei o exemplo oposto: a maravilhosa oportunidade de estar longe da energia elétrica, do trânsito, da luz da cidade grande. No meio de uma floresta, em meio a pessoas que nunca se viram, mas que ali estão juntas com um belo, único e muito particular propósito: conhecer a trilha aberta pelos incas há mais de cinco séculos e, assim, chegar a um lugar tão especial quanto Machu Picchu.

Às 19h jantávamos à luz de lampião e, em 30 minutos de conversa (em "spanglish", como foi dito), o grupo de 16 pessoas (de 9 nacionalidades diferentes) parecia se conhecer há anos. Era o nosso primeiro dia de acampamento, preparação para o 2º dia de caminhada que, dizem, é o mais difícil de todos. Acordaremos às 4h!


FICAR SOZINHO NÃO É FICAR SÓ

De toda a viagem, até agora, está é uma das minhas fotos prediletas. E ela resume muito bem uma considerável parte dos momentos que estou vivendo nestes 22 dias de Peru.

Reflexão, introspecção e - para não parecer chato ou solitário - amor divino. Porque ficar sozinho não significa necessariamente ficar só.

Quando chega aquele ponto da vida em que a gente aprende a se olhar e percebe que nós somos a nossa melhor companhia, tudo fica mais prazeroso e simples.




14º dia - Cusco
Rafting no Rio Urubamba

Eu disse que o dia de hoje ia ser livre... Mas eu sou meio louco, graças a Deus. Virado sem dormir - pois passei a madrugada pulando de uma boate a outra, ate todas fecharem - fui tomar cafe as 8h. E foi comendo que olhei para o sol promissor e resolvi, subitamente, fazer logo o (famoso aqui em Cusco) rafting no rio Urubamba, que ha anos me desperta a curiosidade (mas que nunca tive coragem de fazer).

Cheguei na agencia e o cara falou: "ok, voce tem 10 minutos para estar aqui, pronto". Acho que cheguei em cinco.


Com o rafting ja pago, e eu ja no onibus a caminho do rio, fui tomando noção das coisas, a partir do que era dito: "o rafting dura duas horas, e é de nivel 4 a 4 plus" (nao e coisa pra iniciante). "O percurso inclui descidas em pequenas cachoeiras e possiveis choques em pedras".

Sabe quando dá frio na barriga e voce se arrepende? Pois e, isto so nao aconteceu porque eu estava tonto de sono. E, rindo como um bebado (juro: Inca Kola nao tem alcool), segui assim mesmo, rumo ao Rio Urubamba (um dos maiores do Peru, com mais de 800km de extensao).


Repara na minha cara de tenso, no centro da foto, durante as instruções do guia (minutos antes de começarmos). "Tenso" não, MUITO tenso.




Meia hora depois, a tensão virou festa. E as duas horas de descida no rio passaram muito rápido. Mas repara só nas ondinhas... Nestas fotos só falta o movimento, para você entender a velocidade na qual estávamos.

O grupo era muito engraçado, todos misturando medo com gargalhadas. Havia americanos, um sueco e um holandês, se não me engano. Todos no espírito dos gritos de guerra (literalmente) passados pelo instrutor que nos acompanhava (ali atrás, de preto).


No final, um pouquinho depois desta foto (sou o segundo da esquerda para a direita), o louco do nosso instrutor resolveu virar o bote. "Só pra vocês verem como é", disse ele. E por uns 100 metros fomos arrastados pela correnteza e enfrentamos as pedras com os pés, sem a costumeira proteção do bote. Foi uma coisa louca, mas da qual eu estranhamente também não me arrependo de ter participado (será que colocaram álcool na minha Inca Kola?)


Enfim, assim terminei o rafting. Feliz, cansado, encharcado e nada nada arrependido.



CHEGOU A HORA!

Anoiteceu. Os bonitões na foto são Marisol e Saul, marido e mulher, e donos da agência Amazing Adventures, que por US$ 190 está me levando para os 4 dias de trilha inca para Machu Picchu. Agora há pouco eles vieram no meu hotel para dar as últimas explicações e, da conversa, fui correndo comprar algumas últimas coisas que serão úteis.

Fico agora quatro dias sem postar, pois estarei no meio da mata, percorrendo o caminho de quase 40 quilômetros que, não se sabe quando, foi aberto pelos incas. No 4º dia, terei a certamente recompensadora chegada à cidade "perdida" de Machu Picchu. Preparem-se, pois tudo indica que agora vem a parte mais bonita do diário...

Vejo vocês logo, logo! Estou num lugar muito especial. Pensamento positivo daí, que eu vou pensar muito no Brasil daqui. Até! :-)


SERVIÇO:
- Rafting no Rio Urubamba - U$ 25 // Eric Adventures - Calle Plateros, 324 - www.ericadventures.com
- Trilha Inca para Machu Picchu - 4 dias e 3 noites - U$ 190 (estudante) ou U$ 210 (normal) // Amazing Adventures - marisolic@yahoo.com (Marisol) // A única carteira válida para comprovação de que você é estudante é a carteira internacional da ISIC (www.stb.com.br). // Importante: faça a reserva, escrevendo para a Marisol, antes de sair do Brasil.




13º dia - Cusco
City Tour


Na tarde do meu segundo dia em Cusco, logo depois de mais um almoco de 4 soles no Mercado, parti para um city tour pela cidade. Fomos a um templo, depois a um museu e agora chegamos a Saqsaywaman. Mais uma vez peguei um guia engracadinho (o nome deste era Carlos...) e a piada do dia era: "gente, é SAQSAYWAMAN, e não SEXY WOMAN, ok? hahahahahaha" (este tambem ria de si mesmo)


SAQSAYWAMAN



Saqsaywaman é mais uma mini-cidade construida pelos Incas, bem proxima de Cusco. Ha quem se impressione mais com esta construcao do que com Machu Picchu.

Para os incas, o TEMPO nao representava essa loucura que hoje representa para nos (estamos sempre atrasados, correndo, sem tempo). Para voce ver: a Historia conta que eles levaram 77 anos para construir esta cidade, que era utilizada como um grande templo para o culto ao sol.



E o mais intrigante e imaginar como, durante esses 77 anos, os Incas carregaram essas pedras por 6 ou mais quilometros ate aqui (esta e a distancia das montanhas de onde elas vieram). Outra coisa muito legal deste lugar (e que o guia nem comentou): o efeito que estas pedras dao a qualquer tipo de SOM produzido aqui. É impressionante! Voce grita alguma coisa e ouve uns tres segundos depois. E ouve alto! Parece pouco tempo, mas faca um "teste" acompanhando 3 seg. no relogio.


Aqui tambem encontrei uma alpaca. Eu nao largo as alpacas!!!


Plaza de Armas vista daqui de cima.


Vista aerea da cidade (pois e, eu nao devia ter ficado na frente...) Cusco, a cidade, tem o formato de uma puma.


Nao tem muito a ver com a historia, mas eu tinha que botar esta foto. Adoro essas arvores!!!


PUKAPUKARA

Logo depois fomos para Pukapukara, outro complexo arqueologico inca preservado. Isso aqui na foto eu achei GENIAL. Mas e o tipo da coisa que guia NENHUM mostra. Alias, este foi um momento em que eu deixei o grupo bem de lado e vim ver, calma e detalhadamente, o que eram estes riscos nas pedras. Um perfeito desenho preparado para que a agua percorra este caminho e tome diversos destinos, incluindo regar algumas plantinhas ali existentes. Me lembrou os complexos caminhos que eu preparava para a agua no meu quintal, quando crianca...


Sinceramente, esse negocio de city tour nao é mesmo para mim. Agora tenho certeza disso. Larguei o grupo umas dez vezes ja, pois do lado deles so fico bocejando. Esse portal ai descobri sozinho, porque o guia nao mostrou. Havia tambem um grande gramado atras do templo, tipo do lugar que merece uma tarde inteira, e so tive vinte minutos porque "o onibus ia sair". AAAHHH! (Na proxima, farei diferente).


NIGHT (ou BALADA)
Agora vou novamente ao Mama Africa, uma das boates mais famosas entre os turistas aqui em Cusco. Ja conheco todo mundo que trabalha la e, alem de ja ter aprendido até palavroes em espanhol, numa saudavel aula na noite de ontem, to bebendo (Inca Kola) à vontade, e de graça.

A noite aqui é no mínimo curiosa. Principalmente para cariocas e paulistas. Porque, além de as boates, pubs e bares serem muito bons, você não paga para entrar. E mais: você é disputado, ainda na rua, por promotores de cada uma delas. E, ainda por cima, como moeda de persuasão, ganha inúmeros "vale-bebidas".

Vou partir então agora para um "free drink tour" com os gringos que ja conheci (não são poucos). Pra lá não levo máquina, entao nao tem foto. Amanha meu dia é livre (chega de city tour!); aguarde novo post!


SERVIÇO:
- City tour por Cusco: não pague mais do que S/15. Dá para encontrar por S/10.
- Bilhete turístico: antes do city tour, compre o "bilhete turístico" que dá direito a visitar praticamente todos os sítios arqueológicos que cercam a cidade (exceto trilha inca e Machu Picchu). Você vai precisar dele. O bilhete pode ser comprado na entrada de qualquer das atrações acima ou na agência da I-PERU: Av. Sol 103, Oficina 102, ao lado da Plaza de Armas. S/70 (normal) e S/35 (estudante). A única carteira válida para comprovação de que você é estudante é a carteira internacional da ISIC (www.stb.com.br).
- Night (ou balada): não preciso indicar endereço. É só rodear a Plaza de Armas a partir das 22h (agüente o frio!) e seguir o barulho da música. Ou mesmo esperar para ser disputado pelos promotores de cada casa. Não pague para entrar; se te cobrarem, diga que, assim, você vai com os seus amigos para a boate ao lado. E vá mesmo.




12º dia - Cusco

"Quem tem boca vai a Cusco." Depois de 11 dias viajando, 8 cidades e várias ilhas visitadas e quase 2.000km percorridos, estou convencido de que conversando, perguntando e sabendo pedir ajuda quando necessario, e possivel ir aonde voce puder imaginar. Mesmo sozinho.

Aqui estou eu, em Cusco. O onibus desde Puno, de 10 soles (ou 8 reais), era semi-cama e tinha calefacao, TV, musica, travesseiro e lanche. Mas nao tinha cinto. E eu estava no primeiro assento, segundo andar, de cara pro vidro. Tudo bem, eu quis assim... Agora, o melhor deste onibus e que, apesar de ele estar previsto para chegar em Cusco as 3:30 da manha, "e permitido dormir no onibus ate as 7h". Ou seja: menos uma diaria de hotel!!! hahahaha Mas tem tambem seus contratempos: o onibus parou umas cinco vezes durante a viagem. A primeira, para abastecer, num posto. A segunda, em outro posto, talvez para ver pneu e oleo. Na terceira eu ja estava me perguntando se o motorista nao estava parando nos postos para perguntar se os frentistas queriam passar o fim de semana em Cusco. Mas tudo bem, o preco compensa.

Absurdo mesmo e lembrar como o transporte terrestre no Brasil e caro. Em nosso pais, um onibus destes, numa distancia como esta (Puno-Cusco, mais de 200 quilometros), custaria nao menos do que R$ 50. Aqui me custou menos de 10.


E foi assim que eu cheguei a Cusco. Esta e a imagem do dia amanhecendo, ja estacionado na cidade, visto de dentro do onibus. Estava MUITO frio nesta hora. Desci do onibus e fui ao primeiro telefone publico que encontrei, dentro de uma mercearia. Fiz amizade com a moca e ate ganhei cha de coca gratis. Gastando em moedas um total de uns 3 soles, negociei hotel por hotel ate conseguir diaria por 15 soles (uns 12 reais), depois de ter ouvido absurdos como "apenas 40 dolares, senhor".


Feito isto, parti pro hotel, mas so pra deixar as coisas. Porque imediatamente, ja as 7h da manha de hoje, comecei minha expedicao pela cidade. Cedinho ja estava percorrendo a parte principal de Cusco praticamente toda, a pe. Acima, a classica foto da Plaza de Armas de Cusco, agora tirada por mim.


Entao vendo aquelas duas minusculas janelinhas bem no centro da foto? Uma delas é o meu quarto!


MERCADO MUNICIPAL
Fui entao tirar o jejum, no tal do Mercado Municipal, a umas cinco quadras do hotel. Esta foi a dica dos brasileiros que eu conheci na Bolivia: "no mercado tudo e mais barato! Coma e compre tudo la."

O Mercado e uma coisa incrivel. Centenas de pessoas desviando-se de frutas expostas (e a venda) no chao, senhoras atras dos balcoes tentando convencer (no grito) que o cafe-da-manha, suco, bordado ou artesanato delas é melhor, e tudo muito sujo - e barato. Alem da presenca, entre nossas pernas, de diversos lindos (e fedorentos) cachorrinhos enormes da rua, passeando pra la e pra ca.

Foi no Mercado tambem que eu almocei, mais tarde, gastando entao 5 soles (uns 4 reais). Com sobremesa e suco. O lugar lembra um pouco a Central do Brasil, no Rio, com dezenas de tendas ou ambulantes te oferecendo de tudo. Foi bom comecar a conhecer Cusco por aqui pois, diferentemente dos classicos (e cegos) locais turisticos, aqui voce entende e vivencia um pouco da rica manifestacao cultural peruana. Nao dava pra tirar fotos. E, sinceramente, nem tive vontade de tirar a camera. Estava gostoso demais ficar simplesmente comendo aquele queijo frito em meio a gritos, gargalhadas e cachorros.


MARCHA
Logo depois de sair do mercado, fui surpreendido por uma legiao de centenas de meninos e meninas, com seus 10 ou 14 anos, MARCHANDO pelas ruas da cidade. Com gritos de ordem identicos aos de um exercito, acompanhados por uma banda. Isto foi bastante emocionante (e um pouco assustador) para mim. Alias, acabo de perceber claramente uma coisa: tenho uma sensibilidade muito peculiar, completamente disforme e distante de qualquer padrao. Em muitos dos museus que visitei, minhas emocoes se resumiam a bocejos e sono. Na Plaza de Armas de Arequipa ou vendo este costumeiro desfile das criancas no domingo de Cusco, tive incompreensivel choro e muita emocao.



O detalhe: a partitura fica grudada nas costas do colega que vai a frente.



Em minutos, o movimento toma conta de diversas ruas e de toda a Plaza de Armas, atentamente acompanhada pela populacao e por muitos turistas.


Depois fui saber que isto e comum em Cusco: todos os domingos, os alunos das escolas da cidade hasteiam a bandeira, e todos (governo, populacao, colegios) aproveitam a oportunidade para divulgar seus trabalhos e inciativas. E agora percebi na pratica o que ja haviam comentado comigo: o Peru e um pais com uma mentalidade bastante militarizada; vejo aqui que isto esta inserido na formacao da populacao desde o inicio da vida.


MADE IN USA

Ai tive uma baita decepcao. Um pais tao nacionalista como o Peru, que faz questao de chamar a atencao para os produtos fabricados aqui, em plena manifestacao publica, tem a tenda que abriga as autoridades militares durante o desfile patrocinada pela....



BONECO FANFARRÃO
O momento mais engracado foi quando este boneco (um policial gigante), que ainda nao descobri qual funcao tem, entra no meio do desfile e ainda chega dando uma sarrada no policial de verdade. So da para acreditar porque consegui tirar a foto abaixo.



E depois, ele segue normalmente cumprimentando a populacao com sua mao do tamanho de uma cabeca.



Continuando o passeio, a Igreja de Sao Francisco.


Em frente, uma pracinha. Bonita, agradavel e simples.


De toda a cidade, se ve este morro com as inscricoes que se le na foto.


SALMONELLA
No fim da tarde, fui ao medico. Isto porque, la em Copacabana (quando eu estava muito mal), havia ligado para a assistencia medica que contratei para esta viagem. Como em Copacabana nao havia clinica conveniada e em Puno nao tive tempo, acabei fazendo isto somente aqui em Cusco mesmo. Como ja estou bem, cheguei la so pra cumprir rotina. Disse que havia tido o mal da montanha mas que ja havia me habituado, e estava tudo muito bem.

Ainda assim, a medica suspeitava disso e daquilo. E dizia que "nao era normal ter demorado tanto pra se habituar", "nao era normal eu ainda ter um pouco de tal sintoma" etc. etc. E me pediu exames, incluindo um hemograma. Eu, que sou medroso com agulha, resolvi nao ser chato e fui la tirar sangue. Uma hora depois volto para apanhar o resultado e ela diz que eu estou com... Salmonella!

Ate faz sentido, diante dos lugares podres (sempre os mais baratos) que eu tenho comido. "Mas eu me sinto muito bem!", disse pra ela. Nada adiantou. Me passou antibiotico, dieta, revigorante eletrolitico, remedio pra dor de cabeca "se eu voltasse a ter" e nao sei o que mais. Bem desconfiado e nada satisfeito, peguei o saco de drogas na propria clinica. E so horas depois caiu a ficha - ela aumentou todo o problema so para fazer exames e vender remedios com o dinheiro do meu seguro. Eu, que ja nao sou fa de farmacia, mandei tudo as favas! Peguei os remedios e doei para a primeira pessoa interessada que encontrei. E aposto cem soles que vou continuar muito bem, obrigado.


ROSANA
Anoiteceu, e o frio veio cortante. Cusco e daquelas cidades que durante o dia voce anda no sol de bermuda e a noite se enche de casacos (como eu, agora, de gorro, luva e tudo). Neste momento, aqui no Cyber Cafe, esta tocando (aos berros) a musica "Como uma Deusa", da Rosana. Detalhe: versao em espanhol! ("Se tu es mi hombre, yo soy tu mujer"). Impagavel. Amanha a tarde tem city tour, depois volto aqui com fotos.


SERVIÇO:
- Clínica: a clínica que você NÃO deve ir se precisar de ajuda médica é a Clínica Prado, na Av. de la Cultura.
- Mercado Municipal: basta caminhar desde a Plaza de Armas, de costas para a catedral principal, cerca de 4 quadras. Qualquer um saberá indicar, ainda que você pergunte em portunhol.




11º dia - Copacabana/Puno

Hoje esta sendo um dia muito simbolico - e muito emocionante - para mim. Primeiro: comecamos o dia com um capuccino ao som de um reggae muito bom, num dos bares de Copacabana. Mais um resultado da amizade que se criou no grupo que citei ontem.


Segundo: neste pequeno pier para o Lago Titicaca, fiz simbolicamente o que mais me descarregou de tudo o que negativamente pudesse estar me acompanhando e pondo "peso" nas costas. E tive a grata surpresa de perceber que tambem fui alimentado de muita energia necessaria para o meu crescimento.


SAUDADES
Quando deu meio-dia, me despedi de todos com angustia. Sao pessoas que provavelmente nunca voltarei a ver na vida, mas que ficarao para sempre na boa lembranca. Como desisti da ida a La Paz, estou ganhando mais um dia em Cusco, e espero nao me arrepender. Fui entao embarcar no onibus de volta para Puno (Peru) e...... cade a passagem? Procurei por todo o canto, e nao encontrei.

Como eu estava muito bem, e nada seria capaz de criar um problema, fui conversando com umas 15 pessoas diferentes na empresa, uma por uma, praticamente implorando para me deixarem embarcar sem a passagem (o cara do controle inclusive lembrava de mim). Foi quando, finalmente, o bondoso motorista do onibus interveio e falou: "esta bien, esta bien!!! Deixem ele embarcar! Mas como castigo, vai no ultimo assento!" (seguido de um sorrisinho).


E tai o ultimo assento, onde voltei feliz da vida para Puno.


PRECONCEITO
Passei por uma situacao engracada (e triste) quando entrei no Peru. Pelo seguinte: quando cheguei em Lima, pelo aeroporto internacional, 10 dias atras, me deram permissao de permanencia por 60 dias, disseram "bienvenido" e "buenos dias". Quando chego no Peru de onibus, saindo da Bolivia, olham de cara feia pra mim, carimbam "30 dias" no meu passaporte e ainda perguntam, de maneira grosseira: "e turismo, ne?????" Preconceito com onibus? Ou com quem vem da Bolivia?


Olha que "trash" este bloqueio feito pela aduana peruana na estrada. Se voce der zoom na imagem, vai ver que eles colocaram pedras gigantescas no meio da pista, para realmente obrigar que todos os carros e onibus parassem.


PROCON
Quem me conhece ha muito tempo sabe que o meu apelido, quando pequeno (!), era Procon. Pois sempre fiz questao de reclamar meus direitos e comumente exigo retratacoes ou reembolsos por servicos mal-prestados. No Brasil. Mas no exterior, nunca havia feito isso. Quando estou viajando, o senso Procon baixa a 20%, pois (1) estou querendo curtir e (2) nao conheco leis peruanas, muito menos bolivianas, entao nao sei que direitos tenho. Mas em Puno em tive que passar por uma situacao chata: reclamar e pedir o dinheiro de volta de tudo que eu havia contratado e nao foi cumprido (barco de retorno da Ilha do Sol, onibus para La Paz, hotel em La Paz etc.) Pagar todo um pacote de servicos e ser deixado pra tras numa ilha, durante mais de 24 horas, era absurdo demais.

Ainda em Copacabana, exigi que a menina da agencia ligasse para o cara em Puno que me vendeu o pacote, avisando que ele me esperasse a tal hora no hotel tal, para conversarmos. Quando cheguei na rodoviaria de Puno, liguei novamente avisando que estava a 10 minutos do hotel, que ele fosse para la. Cheguei no hotel e ele nao estava. A menina do hotel ligou novamente e, para minha surpresa, sua resposta: "Estou muito ocupado. TALVEZ AMANHA POSSA FALAR COM ELE". Isto porque meu onibus para Cusco partia duas horas depois.

Enfim, o moço pediu. E conseguiu. Naquele momento despertava, como nunca, a "furia Procon" em mim.

Nao pensei duas vezes: sai na mesma hora do hotel e fui em direcao a delegacia de policia de Puno. Mas o acaso divino fez com que, no caminho, eu descobrisse uma outra alternativa: a agencia de atendimento ao turista do Peru (I-Peru). É como a Rio Tur, no Rio. So que aqui funciona. Entrei e, num bom portunhol, em 5 minutos, contei tudo o que estava acontecendo. As meninas imediatamente ligaram para o tal cara que "estava muito ocupado". Em menos de 5 minutos ele apareceu la, afobado e com cara de assustado.

- "O que houve, Carlitos? Por que tudo isso?"
- "Voce nao estava muito ocupado? Pensei que se eu viesse aqui voce talvez se desocupasse..."

Depois de rapida discussao em varias linguas, com a agencia de atendimento ao turista sempre me dando todo o apoio, atencao e razao, me foram devolvidos, integralmente, todos os dolares que paguei pelos servicos que nao foram prestados. E é com este resultado e esta experiencia muito enriquecedores que eu fecho o dia e entro daqui a pouco num onibus de 10 soles em direcao a... CUSCO! :-)


SERVIÇO:
- I-Peru: agência de atendimento ao turista em Puno - esquina de las calles Deustua y Lima, na Plaza de Armas - todos os dias, das 8h30 às 19h30.




10º dia - Ilha do Sol/Copacabana (Bolivia)
O pior dia da viagem ate agora, mas com a melhor surpresa no final

Infelizmente, aconteceu o que eu deveria ter temido antes. Continuo sofrendo muito os efeitos da altitude, e hoje acordei com a cabeca estourando de tanta dor. Estava na parte sul da Ilha do Sol, mas contratei o barco para me pegar na parte norte (10km daqui), para que eu fizesse a trilha e conhecesse melhor o local (mais uma vez, estava contando com a minha saude de volta).


Resultado: fiz os 10km de trilha, completamente doente. Pernas fraquejando, cabeca latejando, folego zero e fome zero tambem (nao consigo comer). Mas nao havia outra alternativa, nao podia perder o barco de volta e nao ha telefone por perto para tentar avisa-los.

Algumas imagens do caminho:






PERDIDO NA ILHA
No meio da trilha, conheci um holandes gente boa que me fez companhia. E, inclusive, esperou todas as vezes em que tive que parar para retomar o folego. Finalmente, depois de pagos todos os meus pecados, cheguei no porto da parte norte da ilha, quinze minutos antes do combinado com a empresa que faz o transporte. O holandes se foi (voltou para o sul, caminhando!). E eu fiquei ali, feliz, so esperando o barquinho que ia me levar de volta a terra firme. La eu poderia tomar remedios e partir para La Paz (capital da Bolivia, a duas horas dali), como previsto no meu roteiro.

Mas os quinze minutos se passaram. E vinte, trinta, quarenta... Uma hora, duas horas, e nada. Eu, sozinho, doente, debaixo de sol escaldante e no frio, solto numa ilha. Com esforco, me levantei para descobrir o que poderia estar acontecendo, e um senhor me explicou que haviam assassinado uma pessoa em Copacabana na vespera e, por isso, havia protesto na cidade durante todo o dia. Havendo protesto, nao havia barco. Nenhum.


A BENÇÃO
Eis que, minutos de inercia depois, no meio da situacao mais desnorteante da viagem ate agora, me surge uma bencao, mesmo sem oracao: dois brasileiros, da minha idade (alias, os primeiros brasileiros que encontrei desde o inicio da viagem), chegando ao norte com o mesmo objetivo que eu: voltar a Copacabana. Eles vinham acompanhados de outras pessoas de varias nacionalidades (haviam se encontrado ha minutos) e nao so me distrairam com todo o papo tipico de brasileiro - recheado de gargalhadas, historias inacreditaveis de "como se virar no exterior" e simpatia - como tambem cuidaram de tudo: negociar um barco particular com os locais, encontrar um hotel barato em Copacabana e, inclusive, me alimentar!

Foi assim que, agora a noite, tive uma melhora subita. E, as 10h da noite, estavamos todos (brasileiros, um israelense, uma suica e um italiano) sentados em engradados de refrigerantes devorando um delicioso macarrao muito bem temperado preparado pelo... (adivinhem) italiano! Na cozinha do dono do hotel, emprestada extra-oficialmente para nos.


O simples mas confortavel quarto, que nos custou 10 bolivianos (inacreditaveis 3 reais).


A cozinha de onde saiu um dos melhores macarroes que ja comi. Custou uns R$ 5 para cada um, com bebida. Caramba, estou gastando menos dinheiro em passeio pelo Peru e Bolivia do que se eu estivesse no Brasil!!!


E o grupo, tao recente e tao unido, nao pelo acaso. Porque afinidade nada tem a ver com nacionalidade.
Da esquerda para a direita: Geraldo (Brasil), Gianluca (Italia), Romulo (Brasil), eu (Brasil), Barbara (Suica) e Roi (Israel).

Eu disse que Copacabana e um lugar que pede para voce ficar mais um pouquinho; nao por vontade, acabei ficando mesmo. Desisti da ida a La Paz, ate porque, por causa deste protesto, nao ha onibus saindo para a capital hoje. Assim entao terminou o meu dia, com a licao de que a fraternidade e o companheirismo estao acima de qualquer repulsa ou medo tipicamente humanos. Têm que estar. E hoje aprendi como se faz isso, de verdade. Foi o momento mais dificil e ao mesmo tempo mais emocionante desta viagem, ate agora. Muito boa noite!!!!!! :-)


SERVIÇO:
- Hotel barato de Copacabana: Hostal Elida. Fica a umas quatro quadras do lago. É só perguntar ao povo.




9º dia - Copacabana/Ilha do Sol (Bolivia)

Acordei mal mais uma vez. Mas vou parar de falar sobre o mal da montanha, pra ver se ele me esquece. Peguei o onibus rumo a Copacabana, cidade da Bolivia fronteirica com o Peru.


Este portal ai e a fronteira entre o Peru e a Bolivia. Ai passa ate caminha-tanque sem que eles percebam, com o perdao do exagero. E visivel a desorganizacao e o fraco controle da passagem. Nao que isso seja um problema...


Posto de controle do Peru.


E posto de controle da Bolivia.

Quando estavamos chegando a Copacabana, entraram dois muchachos no onibus, totalmente a paisana, dizendo que cada um precisava dar "1 boliviano" (cerca de 30 centavos de real) como "taxa de entrada em Copacabana", senao o onibus nao podia seguir. Todos meio bolados, fomos rapidamente contemplados por uma alma capacitada que se revoltou em bom espanhol e deixou claro que nao ia pagar nada, que aquilo era um absurdo etc. Em segundos, o onibus inteiro fazia tanto barulho que os caras desceram sem mais nada dizer.


Como de costume nesta viagem: apesar de ter prometido, a pessoa com quem comprei o translado ate a Ilha do Sol nao me esperou no terminal de onibus. Ja em Copacabana, olha que lugarzinho agradavel eu encontrei para almocar...


A cidade nao e muito mais que isso. Serve fundamentalmente como ponto turistico de ida para as Ilhas do Sol e da Lua e tambem como entreposto para La Paz. Mas, curiosamente, Copacabana tem um climinha gostoso, um jeito de "ei, fica aqui um pouquinho..."


Nao fiquei. Entrei logo no barco rumo a Ilha do Sol. A Bolivia, apesar de ter perdido o mar para o Chile, possui ate hoje uma Marinha. Lacustre, no caso. Mas eles parecem nao ter engolido muito bem o acontecido... Veja a inscricao neste posto da Marinha boliviana no Lago Titicaca: "o mar nos pertence por direito. Recupera-lo e um dever." Aguarde cenas do proximo capitulo. Que - o santo da america do sul que me ouca - nao chegarao nunca.


Caminho para a Ilha do Sol.



Chegamos!


Mascando folha de coca pra ajudar a subir.

Valeu o esforco. Veja abaixo um pouco da vista daqui de cima...









Nativas da ilha.


Esse ai e o hotel que eu escolhi pra ficar uma noite aqui na ilha. 20 bolivianos (cerca de 7 reais) a diaria.


Esta e a inacreditavel (e inesquecivel) vista da janela do meu quarto...


E esta cabaninha foi o lugar que eu escolhi para assistir ao...


...por-do-sol da Ilha do Sol.


Que tal a gente sentar pra bater um papo aqui?


Nao tenho mais o que contar... Estou num lugar tao maravilhoso e unico que o resto da noite vai servir para muita meditacao, bons fluidos e a busca por crescimento espiritual. Sei que a foto acima nao esta boa, mas foi a melhor maneira de tentar exemplificar como esta maravilhosa a lua cheia que aqui vou poder admirar por mais horas e horas.

Hoje vou dormir aqui na ilha e, amanha, faco uma trilha ate o norte para conhece-la melhor ainda. Depois parto para... LA PAZ, capital da Bolivia.


SERVIÇO:
- Fronteira: muito cuidado e atenção quando estiver carimbando seu passaporte nos postos de controle do Peru e, especialmente, da Bolívia. Verifique se a data do carimbo está correta e exija o papel de entrada de estrangeiros (um formulário a ser preenchido com seus dados pessoais), pois vão te cobrar quando você estiver saindo do país.
- Barcos para Ilha do Sol: não pague mais do que S/15.
- Hotel na Ilha do Sol: Hostal Templo del Sol. Recomendo, de verdade. Bem simples, mas no topo do morro, com o privilégio da vista para os dois lados da ilha.




8º dia - Puno
Ilhas Uros e Ilha Taquile (Lago Titicaca)


Droga! Acordei mal, com MUITA dor de cabeca. Como ja estava reservado, parti assim mesmo para um passeio de barco pelo Lago Titicaca.


Este e o meu novo companheiro de guerra, agora que estou no frio.


O Lago Titicaca e o maior lago navegavel do mundo, e tambem o mais alto: quase 4.000m de altitude. Fica parte no Peru, parte na Bolivia. E tem uma superficie de 8.560 quilometros quadrados. E impressionante!


ILHAS UROS


As Ilhas Uros sao ilhas flutuantes construidas pelos indios uros e quechuas - e ate hoje habitadas pelos seus descendentes -, muitas delas com idade de mais de 100 anos. Sao mais de 40 ilhas como esta, ao fundo na segunda foto.


Foto tirada em uma das ilhas. Debaixo de sol escaldante, e morrendo de frio. Nao era febre. Aqui e frio mesmo!


Embarcacao construida e utilizada pela populacao local. E a turistada toda dentro.


Achei curioso este peixe vivo dentro deste pouquinho de agua no pote. E tirei a foto. Mas, minutos depois...





Opa! Quanta tecnologia nestas ilhas tao artesanais, hein? Geracao de energia eletrica pela luz (esses captadores sao carissimos!) e... cabine de telefone?!


ILHA TAQUILE

Em seguida, partimos para a Ilha Taquile, tambem no Lago Titicaca. A grande sacada do guia neste momento do passeio, que ele fazia questao de repetir a cada tres minutos, era: "atencao, pessoal, e ilha TAQUILE, e nao TEQUILA, ok? hahaha" (isso mesmo, ele ria sozinho)


A ilha tambem tem sua Plaza de Armas.


E nela, um indicador de distancia e direcao de varias das principais cidades do mundo. Aqui fiquei sabendo (veja so!) que estou ha quase 3.000km longe de casa! Aaaaahhh... ;-)


Pedras nos telhados para nao voarem com o vento.


Alpacas soltinhas pela ilha... Hummmm... hahahaha!


Venha aqui almocar comigo... Pela vista, nao se paga!


Os banheiros no Peru nunca sao grande coisa. Alias, sabonete e papel para secar as maos sao coisas que inexistem. Acho que as pessoas "lavam" as maos so com agua. Mas um banheiro bateu o recorde, foi este aqui, que ganhou o titulo de "mais trash ate o momento".


Cheio de dor de cabeca, olha o que eu ainda tenho pra descer. O barco esta la embaixo nos esperando... (como seria bom estar bem agora!)


DE VOLTA A PUNO
As cidades menores do Peru me reservaram uma grata surpresa: O CARRO DO MR. BEAN! Lembra? Aquele carro que o Mr. Bean dirigia, com apenas uma roda na frente? EXISTE! E aqui funciona como "moto-taxi". Acho ele muito engracado, por isso mereceu varias fotos. Veja, na de baixo, um desfiles destas motonetas.



E claro que eu andei numa delas. Paguei um sol para percorrer toda a cidade. E aqui em Puno tambem ha um outro tipo de taxi alternativo: triciclos! Em que o "taxista" vai atras pedalando e o passageiro, na frente, como um lorde. Pena que, deste, nao consegui fotos.

Agora a noite, comi uma pizza de chorizo, muito boa! Claro que me enjoou (tudo esta enjoando, to parecendo gravida). Mais uma vez, a esperanca e a de que amanha eu acorde melhor. To indo pra cama, ate logo!


SERVIÇO:
- Mal da Montanha: o melhor remédio é DESCANSO! Não faça o que eu fiz hoje... DESCANSE que o mal passa naturalmente.
- Pizza boa: "del Bujo", na Calle Lima.
- Restaurante bom: "La Estancia", próximo à Calle Lima.




7º dia - Puno
O mal da montanha existe!


Embarquei neste onibus (agora sim, um bom onibus!) para Puno. Logo que pegamos a estrada, um funcionario da empresa vem no microfone avisar a todos os senhores passageiros, nestas palavras: "o banheiro do onibus deve ser usado somente como urinador (sic). Repetindo, somente como urinador. Em caso de alguma outra necessidade - qual poderia ser, nao e mesmo? - favor me avisar que coordenaremos uma parada com o piloto. Gracias."


Nossa, esse aviso fez toda a diferenca. "É PROIBIDO não estar satisfeito". hahaha...



O visual na estrada era fantastico, como voce pode ver.



Minha inseparavel agua.


Pobreza em Juliaca, cidade proxima a Puno.


Eu ai, todo felizao, mal sabia o que me esperava minutos depois... O que aconteceu foi o seguinte: comecei a passar mal ja na viagem. Dor de cabeca, enjoo, sensacao de fraqueza e olhos que pareciam ferver. Fiquei mal mesmo. Na chegada em Puno, quem prometeu me apanhar (a moca do hotel) realmente estava la. Ainda bem, porque eu nao estava em condicoes de puxar portunhol nenhum pra me virar sozinho naquela hora.


Outra surpresa ingrata, depois do solzao da estrada, foi o frio. MUITO frio! Acabou a minha palhacada de ficar zoando o que tanto me avisaram. E, aqui em Puno e frio mesmo! Diferente de todas as cidades por que ja passei. Chega a arder o nariz quando eu respiro.

Enfim, meu setimo dia de viagem se resumiu a agua e CAMA. Estou realmente doente com o mal da montanha. E a primeira vez na vida em que alcanco 4.000m de altitude. Hoje foi tambem o primeiro dia em que experimentei o famoso cha de coca (feito de folha de coca, a mesma que da origem a cocaina). Ele realmente ajuda, me senti melhor e ate me aventurei no frio a vir aqui publicar este post. Mas a dor ja esta voltando, entao... vou dormir.

Amanha tem passeio a algumas ilhas do Lago Titicaca, aqui ao lado, e espero ja estar melhor!




6º dia - Arequipa



Passei um perrengue esperando por duas horas o onibus "semi-cama" que a Aeroparacas havia comprado pra mim. Num terminal sujo, fedorento e obviamente perigoso. Quando passava das 11h, chega o busao. Quando entrei, uma ingrata surpresa... Porque se aquilo era semi-cama, entao o 240 (Cidade de Deus x Castelo, no Rio), que pego sempre, posso chamar de suite presidencial.

O onibus era sujo, nao tinha ar condicionado, as janelas nao abriam (nao eram janelas, apenas vidros), o banco mal reclinava, e pasmem... Havia pessoas em pe! Para viajar 8 horas! (se aqui no Peru isto e permitido eu nao sei, mas acontece direto...) Enfim, depois de muita lastima e sacolejos em meio a sonhos incompletos, cheguei a agradavel cidade de Arequipa.

Adivinhe: a historia de Pisco se repetiu, e quando desembarquei nao havia ninguem me esperando na rodoviaria. Pelo menos desta vez era uma rodoviaria de verdade, com lojas e tudo mais, e tambem estava de dia. Fui direto a primeira "cabina de internet" que vi e, vendo a galera da empresa online no messenger, esculhambei. Em 10 minutos, apareceu um cara ali dentro procurando pelo "senhor Araña".


Resolvido o primeiro passo, cheguei no hotel. Show de bola! Quartinho e banheiro privativos, tv a cabo, um luxo! E pela bagatela de 30 soles (menos de 30 reais). To comecando a economizar mais...

MOSTEIRO DE SANTA CATALINA
Parti logo depois do banho pro Mosteiro de Santa Catalina, famoso aqui. E muito bonito, veja abaixo.




Sim, bonito, mas chato. Especialmente com esta guia, que so queria saber da gorjeta que eu ia dar para ela. Ela soltava perguntas contendo a palavra "propina" (gorjeta, em castelhano) a cada duas frases.


Resultado: olha a minha animacao neste passeio... Odeio gente interesseira...


CITY TOUR
Logo depois, sem almoco (porque nunca ha tempo para o almoco), parti para um city tour.


Essa figura ai era o nosso guia. Eu e mais duas argentinas, na foto.


Uma das coisas que de cara mais me impressionaram em Arequipa (nunca tinha visto neve em topo de morro) foi este gigantesco vulcao (que, diz o povo daqui, pode ainda voltar a atividade), visivel de quase qualquer ponto da cidade. La atras, na foto.


Pobreza em Arequipa. Favela mesmo, visualmente indentica as do Brasil. So nao tem traficante armado circulando.


Alpaca. Nunca tinha visto uma na vida. E eu sou um escroto, porque a tarde estava ai alimentando o bicho, mas horas depois... Um generoso pedaco dele ou de um colega estava no meu prato, muito bem passado, servindo como almoco-janta. Alias, muito saborosa a carne!


Este foi o momento mais excitante do city tour. Ainda bem que eu estava com a camera a postos para registra-lo. Este outro carro veio em sentido contrario, bem em direcao ao nosso. Os dois a uns 80km/h, e nenhum reduziu. Depois de um buzinaco e um desvio de ultima hora, seguimos vivos.


Abaixo, fotos de Arequipa. A cidade, a segunda maior do pais, com 900 mil habitantes, e muito bonita!








TERREMOTOS

O medo do vulcao voltar a atividade nao e o unico em Arequipa. Avisos como este estao obrigatoriamente espalhados por todos os edificios seguros da cidade (alias, do pais). O Peru ja sofreu e ja perdeu muito com terremotos... Inclusive em Arequipa. No ultimo, dezenas de pessoas morreram e ate a torre da Catedral desabou.


MOMENTO ROMANTICO
Mas o melhor mesmo de tudo em Arequipa veio a noite. Alias, Arequipa me fisgou o coracao, e foi a responsavel pelo primeiro grande momento romantico da viagem. E quando falo em romantismo, nao estou falando de mulheres. E sim daquilo que mais gosto quando estou viajando sozinho: sentir-me espiritualmente completo com um lugar.





E sabe onde isso aconteceu? Na Plaza de Armas, que indubitavelmente acaba de vencer o concurso de "Plaza de Armas mais bonita e magnetica que ja vi". Pois entao, por ali fiquei, sentado, por mais de 3 horas! Que passaram como em cinco minutos! Nao estava com camera, o que ate melhorou meu estado alfa em que fiquei, admirando a beleza da Catedral e dos predios ao redor, a calma das pessoas que ali passam so para repousar, o chafariz no centro, as criancas brincando... Pena que so tenho fotos duante o dia. Mas ver o que eu vi e sentir o que eu senti, na Plaza de Armas de Arequipa a noite, so vindo aqui pessoalmente.

As fotos da praca nao estao tao boas quanto as de Lima, pois foram corridas. Mas acreditem no que estou dizendo: vale a pena vir a Arequipa so para conhecer esta praca, como ela e hoje, a noite.


OOOUTRO CACHORRO

Pronto, virou marca da viagem. Arrumei chamego com mais um cachorro! Agora, do outro escritorio da Aeroparacas. Ele queria morder e engolir o cadarco do meu tenis. O bicho era tao simpatico que eu so nao deixei ele fazer isso porque ainda tenho trilha inca de 4 dias para Machu Picchu, daqui a uma semana...

"Tchau", triste, para Arequipa. Amanha cedo parto para Puno, sao 6 horas de viagem e 1.500m de altitude a mais. Sei que nao terei "mal da montanha", afinal ja estou a 2.600m de altitude e continuo bem. Sem falar que vou chegar de onibus (ou seja, subindo aos poucos). Beijos e ate logo!




Ainda no quinto dia...

Nao bastasse tudo que ja tinha feito durante o dia, ainda deu tempo (ainda bem!) de visitar os Aquedutos de Cantalloc, bem pertinho de Nasca. Estes aquedutos sao resultado da excelente engenharia hidraulica dos nascas (pre-incas!). Eles construiram impressionantes sistemas de coleta e distribuicao de agua, na epoca de Cristo! E funcionam ate hoje...


Este buraco em espiral e uma das "ventanas" (janelas) deixadas na epoca da construcao para que, caminhando entre uma e outra (cerca de 20 metros de distancia) se possa fazer a limpeza dos canais subterraneos por onde corre a agua (limpeza=tirar plantas que crescem entre as pedras). Os aquedutos trazem a agua das montanhas a quilometros de distancia dali, ate a cidade de Nasca. Ate hoje e utilizado e, segundo os locais, "funciona melhor que esse novo ai que o governo fez..."


Veja a arquitetura do canal subterraneo. Essas pedras foram carregadas e colocadas, uma a uma, criando este tunel. Em cima, madeira. Deixei a pseudo-claustrofobia de lado e... CAMINHEI DE UM BURACO ATE O OUTRO!!! Foi uma das coisas mais revigorantes que fiz ate agora nesta viagem. Imagine so... Percorrer, em meio a agua cristalina e natural, um canal subterraneo construido pelo homem ha mais de 2.000 anos!


FURANDO A BLITZ
Na volta deste passeio, aconteceu um fato bem interessante, especialmente para quem mora no Rio de Janeiro, como eu. Estavamos numa pequena estrada, eu e meu "guia" (que na verdade nada mais e do que um cara em seu carro particular, me levando ate o local dos aquedutos). Em determinado ponto, mais escuro inclusive, um carro da policia estava parado, de lado, no acostamento. Quando nos aproximamos, os policiais fizeram sinal com lanternas, mandando pararmos. A reacao do motorista foi: ACENDER O FAROL ALTO e ACELERAR. E ainda passou olhando com cara feia pros policiais.

Diante do semblante bem natural por parte dele, fui obrigado a perguntar o que tinha acabado de acontecer. Ele respondeu, com muita simplicidade: "esses policiais sao todos corruptos. Mandam todo mundo parar nessa blitz so para arrumar problema onde nao tem e pedir dinheiro. Aqui nunca ninguem e preso ou um carro e apreendido, a blitz e so um caixa 2 deles mesmo. Entao, nao paro."

A diferenca para o Brasil, expliquei a ele, se resume somente em dois pontos: se voce furar uma blitz, alem de ser alvejado a tiros - como numa guerra -, voce ainda e criminosamente transformado em bandido por alguma prova falsa - como nem em guerra se faz.


MAIS UM CACHORRO


Para terminar ludicamente o post do dia, e tentar ilusoriamente esquecer um pouco os problemas brasileiros, segue ai o cachorro da Aeroparacas em Nasca. (calma, Tais, a baba nem passou perto da camera, ta? ;-) Mas sera possivel? Cada canto que eu vou aparece um cachorro cismando comigo!


Agora vou embarcar numa viagem de 8 horas rumo a Arequipa! Como la so vou ter um dia, nao vou publicar posts ate que eu chegue em Puno. Quero aproveitar bem a conhecida "cidade branca" do Peru. Saludos, e ate!



5º dia - Ica/Nasca

O cheiro de mofo do hotel me acordou cedinho, e ja parti para o passeio por Ica. Meu desdejum foi... vinho! (logo eu, quem diria...)



Estas sao fotos de uma das vinicolas onde se produz o vinho peruano e a conhecida bebida Pisco, tipica no pais. Acima, um dos centros de producao. Ha uma festa regional em que todos dancam num destes quadrados, com milhares de uvas aos pes. O liquido decorrente deste grande baile da origem ao vinho e ao pisco. Abaixo, as "bodegas" que armazenam o vinho por anos.

Depois da vinicola, fui ao Museu Regional de Ica Adolfo Bermudez Jenkins. Um manto foi roubado do museu. No lugar, colocaram "se busca/wanted". Vi algumas coisas interessantes sobre os nascas e os paracas, mas nao tem foto nenhuma de la porque eles cobram 4 soles (cerca de R$ 3,50) por cada foto tirada! (nunca vi isso...)


LAGO HUACACHINA
Depois fui direto ao Lago Huacachina, uma especie de oasis no meio do deserto. Este aqui realmente e um lugar muito legal! Merece uma tarde inteira. Pena que eu so tenho 30 minutos, entao vou comer alguma coisa e apreciar a beleza deste lago e vegetacao rodeada pelas dunas mais altas que ja vi na vida (sim, elas sao maiores que as de Joaquina, em Florianopolis!) Algumas fotos:





GRINGO BEBUM

Olha so isso... Fui tirar a foto dos moleques tocando (e muito bem) alguns dos instrumentos tipicos daqui, ai me aparece...


...este gringo fanfarrao (bebado) que, vendo que estou tirando fotos, vai pro meio deles. hahahaha...



Chegou entao a hora de... Nasca! A agencia que estava me esperando la ja havia providenciado meu transporte desde Ica. Pensei, claro, que seria um onibus, micro-onibus ou algo do tipo. Mas mais uma surpresa me esperava... Eles me disseram que onibus ia demorar muito, entao me colocariam num "taxi". Veja so o TAXI:


Um dodgao azul 79!!!


Olha o painel dele! Fantastico!

Partimos entao no "taxi", com musica no maximo, uns 130km/h (estou chutando, porque nao havia velocimetro), 4 chicos atras e, na frente, o piloto, uma chica (mais uma!) e eu. Ai resolvi brincar de "foto escondida". Veja o resultado abaixo:


A cara de quem vai fazer...




Claro que fui descoberto... hahahahaha!




NASCA
Enfim, depois de uma emocionante viagem no Dodge azul pela caliente estrada entre Ica e Nasca, cheguei ao "aerodromo" da cidade. E de la que partem os avioes teco-teco que sobrevoam as famosas Linhas de Nasca.

As Linhas de Nasca foram descobertas em 1927, por um peruano. Mas o pais nada fez por 12 anos, e somente em 1939 um norte-americano apareceu e, por conta propria, comecou a estuda-las. E um misterio que ate hoje nao se explica: inscricoes feitas em pedras e na areia de uma imensa area desertica da cidade de Nasca, no sul do Peru.

Ninguem sabe por quem foram feitas, nem porque. Ha teorias indicando a autoria para extra-terrestres; outros dizem que foram os Incas, e que os desenhos, no todo, representam um grande calendario astronomico. Enfim, o misterio aumenta o valor de se sobrevoar estas misteriosas (e maravilhosas) inscricoes feitas aqui.

As fotos nao passam nem metade da emocao de ser ver isto, ao vivo. Misteriosamente tambem, essas fotos em Nasca estavam saindo todas erradas. O automatico nao ajeitava a luz, a exposicao ficava sempre borrada... Coloquei no manual e consegui melhorar um pouco. Ainda assim, considero as piores imagens (plasticamente falando) ate agora. Por isso digo: so vindo aqui para ver.











A engenharia de inscricao das linhas e impressionante. Pedras quentes ao redor delas exalam calor. O vento frio que vem do Pacifico choca com este calor e cria mini-tornados que fazem a "limpeza" das linhas, nao deixando elas serem cobertas, mesmo com o passar dos anos. Ha montanhas em volta de tudo, o que enfraquece os ventos e nao permite que eles as desfacam.


Dizem os estudos que este macaco tem 5 dedos na mao esquerda e 4 na mao direita porque isto representa as 9 estrelas mais fortes da Ursa Maior (visiveis do Peru).


Olha ai a ARANHA!!! Ela se relaciona com a fertilidade, o planeta venus, a figura feminina.


Felicidade depois de ter visto a aranha. Minha prima!


Voce nao ficaria bolado de estar num aviao encostado numa porta em que basta virar uma macaneta para ela estar aberta?


Sempre presente!


E continua um frio grotesco no Peru...



As paisagens que se ve neste voo sao realmente impressionantes!


A estrada cortando o nada. Foi ali que passei com o Dodge.


Valeu, piloto!!!


Como ainda dá tempo, agora vou ate os Aquedutos de Cantalloc, onde vou conhecer pessoalmente a incrivel engenharia hidraulica desenvolvida pelos nascas (antes dos incas!) Ja vai escurecer, mas prometo fotos.


SERVIÇO:
- Vinícolas: não é preciso contratar agência para ir lá. Basta se informar pela cidade (ou num táxi) sobre como chegar a elas.
- Sobrevôo às Linhas de Nasca: Aeroparacas - www.aeroparacas.com / aeroparacas@hotmail.com - falar com Raquel (não pague mais do que S/100).
- Passeio nos Aquedutos de Cantalloc: basta se informar pela cidade sobre como chegar lá. Não pague mais do que S/5 no táxi. Na entrada dos aquedutos, eles te cobram uma taxa de cerca de S/10. Que, se você chiar, nem vai pagar.




4º dia - Pisco/Paracas/Ica


Acordo em Pisco as 7h da manha com o barulho das ondas no mar. Este ai era o meu quarto.


E esta era a vista do hotel Las Olas (alias, excelente hotel!).


CAPANGAS
Nem deu para tomar cafe-da-manha porque o carro do city tour ja estava na porta me esperando (chegaram antes do combinado). Estava imaginando um micro-onibus, ou van. Quando saio do hotel, a primeira situacao esquisita do dia (pelo menos para quem ja tinha passado pelo que eu passei na vespera).

Imagine so: um Comodoro preto na porta, com dois muchachos dentro e um fora. O do volante com oculos escuros e fumando... um cachimbo! O de tras me fitando desde que eu botei a cara pra fora. E o do carona com a porta de tras aberta, esperando eu entrar. Quando cheguei, ele deu um peteleco no cigarro, pisou nele calmamente mas com muita vontade, e fechou a minha porta. So faltou entao algumas pistolas e aquela musiquinha dos filmes de velho oeste. Foi engracado.

Ok, assim comecam os city tours aqui em Pisco. Entrei e, eternos 4 minutos depois, um silencio absoluto. O motorista ia a 160 km/h numa estrada semi-esburacada, mas que ele conhecia muito bem. O mais interessante foi quando chegamos num porto, e percebi que a minha porta nao abria por dentro. "Vao me botar num barco e me exportar", pensei. Mas nao, era so esperar uns 50 minutos em jejum para finalmente embarcarmos em direcao as Ilhas Ballestas. Agora acompanhado de outros turistas.


Eu no barco e o guia atras. Figuraca. Vai dizer que ele nao parece o Clodovil?


Assim como a Cicarelli, eu tenho seis dedos. So que na mao.


CANDELABRO
Abaixo, fotos do impressionante "Candelabro", de cerca de 150m de altura, riscado na areia da peninsula proxima as Ilhas Ballestas. Esta imagem ai esta ha anos, e ninguem sabe explicar como nem por quem foi feita.







ILHAS BALLESTAS
Chegamos as Ilhas Ballestas, propriedade dos leoes marinhos e das aves marinhas que por aqui passam e permitem ao Peru industrializar e ate exportar o guano (adubo proveniente da caquinha deles). Repare na beleza do local... E pena eu nao ter captacao de som, porque o barulho estrondoso dos animais misturado a batida do mar e uma coisa impressionante, que eu queria levar pra casa...











Toda esta mancha preta, sao aves marinhas!


E esta praia e exclusiva de leoes marinhos... :-)


RESERVA NATURAL DE PARACAS
Acabou o passeio as Ilhas Ballestas, fomos entao direto (sem almoco e eu, sem cafe) a Reserva Natural de Paracas, perto dali. E o fim do Deserto de Atacama, que comeca no Chile. Um lugar realmente impressionante. Mas antes das fotos, me explica: por que la em cima voce contou os meus dedos para ver se eram mesmo seis?


Nossa expedicao ao deserto. Nao me pergunte, porque ninguem tambem soube me explicar o "Discovery" na traseira do onibus.


Continua um "frio" danado por aqui pelo Peru...

Fotos de Paracas abaixo. E uma reserva que serve para a reproducao livre de aves, sem interferencia do homem. E e tambem um lugar de beleza incomensuravel... Repare (como eu tambem reparei por um bom tempo) na formacao rochosa proxima ao mar. Lindo.






E claro que o meu companheiro, velho de guerra, estava la comigo.


Conheci essas doidas neste passeio do deserto. Todas peruanas. Rapidamente nos entendemos bem.


E depois teve ate almoco comunitario. Repare no local...


Recomendo!


Voltei para o hotel, agora alimentado e mais animado, e tambem cheio de areia ate nas unhas. De la direto para Ica, cidade proxima, onde hoje descanso e amanha vou conhecer com calma. Agora, se liga no naipe do hotel em que eu to hospedado agora...



... A foto de cima foi meio "escondida", porque a rua nao era das mais tranquilas e nao quis ficar exibindo a camera. Enfim, um lugar para encostar. Mas nao sei como, ate agora, nao cruzei no meu quarto com a amiga barata ou o amigo rato. Estou inclusive escrevendo e espirrando (isso aqui nao e varrido ha seculos). hahaha Bom, acabam de me avisar que "hoje nao ha agua caliente", entao vou partir para um banho "helado" agora. Dizem que faz bem pras ventas.



E acabou o dia! Quanta coisa nao pode se fazer num dia, hein? Ate amanha!


SERVIÇO:
- Em Pisco, para ver o Candelabro, Ilhas Ballestas e Reserva Natural de Paracas: é necessário comprar pacotes com agências em Lima ou mesmo em Pisco.
- Em Ica, onde NÃO ficar: Hospedaje Callao.
- Em Ica, internet rápida e boa: Hospedaje Callao.




Ainda no terceiro dia...

Nesta minha vinda para Pisco, vivi do melhor ao pior momento da viagem, ate agora, num espaco de 20 minutos. O bom foi porque no onibus, na poltrona ao lado (no inicio vazia), sentou uma chica de Chincha, distrito proximo de Lima. O resto nao vou contar, mas fez a cansativa viagem (onibus parava a cada cinco minutos) muito mais rapida.

Enfim, cheguei a Pisco. Saltei num ponto que nao da para chamar nem de terminal rodoviario. Era uma entrada de favela, com um escritorio da empresa de onibus minusculo na porta. "Tudo bem", pensei, "afinal ja estao me esperando aqui" (foi o combinado com o pessoal da Aeroparacas, em Lima - eles cederam esta gentileza de me pegar no ponto e me levar ao hotel). Gentileza que nao aconteceu, porque ninguem estava ali a minha espera. Em um minuto, as dezenas de pessoas que saltaram comigo ja tinham tomado seu rumo e, repentinamente, me vejo com mala na mao, mochila nas costas, e varios individuos me fitando e se entreolhando. E eu, ali parado, sozinho.

Mantive por fora um singelo sorriso falso, tranquilo. Por dentro, nervos e impotencia. Entrei no banheiro da empresa para pensar no que fazer. Abri a mochila, peguei o endereco e o telefone do hotel, mas nem telefone publico havia ali. Neste momento, entra no banheiro um dos funcionarios da empresa, que la fora ficou me perguntando de onde eu era, para onde ia etc. etc. Me olhou com um sorriso suspeito, e diante de tantas sub-evidencias de que algo nada bom ia acontecer, tomei a atitude: sai do "terminal" como uma bala e fui direto ao primeiro taxi que vi. Teoricamente, o problema estava resolvido. Falei o endereco e fomos.

Eis que no caminho (bem escuro e deserto, por sinal) o taxista tambem comeca a querer saber a minha ficha completa. E aquele tipo de situacao em que, se voce nao responde nada, e ainda pior: a pessoa percebe que voce esta com medo. Entao, para tudo que ele perguntava, eu tinha uma resposta na ponta da lingua. Tudo mentira, claro. Nao tenho duvidas de que, nesta hora, a criatividade e o sangue frio me salvaram de um roubo ou sei la o que mais. Enfim, para ele, estou morando em Lima ha um ano (por isso nao falo bem espanhol ainda), meu pai esta participando de um trabalho com o governo (mas um trabalho voluntario), peguei um taxi porque ninguem na familia tem carro etc.

Uma hora, a mais tensa, ele para o carro. Bem no escuro. Eu ja estava com todas as malas rodeando meu corpo, entao se tivesse que sair correndo pelo menos tudo ia junto comigo. Ai ele abriu a janela, perguntou onde ficava a rua que eu havia dito, uma pessoa respondeu explicando. E ele continuou parado; evidentemente nao queria muito encontra-la. Ai eu soltei sem pensar o mais importante: "Amigo, vamos! Estao todos me esperando en la puerta!"

Ele pensou, pensou, pensou... Partiu e me deixou na frente do hotel onde, claro, nao havia ninguem na porta. Ninguem alem do grande Juan, que cuida do hotel, e que - tamanha a sensibilidade - parece ter percebido em segundos tudo que estava acontecendo; e, antes de eu sair, foi la no taxi me receber como se me conhecesse ha anos. Sorte de mochileiro, que sempre conta com uma protecao especial la de cima.

Enfim, faltou dizer: saindo de Lima, agora sim, vi a pobreza que rodeia a cidade... E impressionante! O suburbio da capital tem muitas favelas, muitos bairros sem as minimas condicoes de saneamento, seguranca e vida. Aqui em Pisco nao e diferente. Ja recuperado do susto, e depois de um banho, acabo de comer um "pollo" (frango), muito bom, na praca central da cidade ("Plaza de Armas", claro ;-) e agora vim aqui na internet. Amanha e dia de Ilhas Ballestas, Reserva Natural de Paracas e partida para Ica. Ate!


SERVIÇO:
- Hotel em Pisco (muito bom! recomendo!): Hostel Las Olas - Av. Miguel Grau 156, Pisco Playa - lasolas@terra.com.pe (Juan)



3º dia - Lima/Pisco

Acordei as 11h e resolvi ir a praia. Afinal, o onibus para Pisco so sai as 4h da tarde, entao ainda tem muito o que fazer.


Ultimo "desayuno" (cafe-da-manha) em Lima.


Caminho para a praia de Miraflores!



Tai ela. Olha a formacao rochosa do litoral... E essa areia e de aterro, naturalmente esta era uma praia so de pedras mesmo!


Pes no pacifico! Isto acaba de se tornar uma tradicao minha, pois fiz o mesmo no Chile (mesmo com muito frio), no ano passado. Emocionante! E restaurador...


Olha so! Aqui da para conversar com a Policia... Comecei a bater papo com esses dois. E nao so foram muito gentis como me trataram como cidadao (mais que a obrigacao) e por fim acabamos tirando esta foto ai. Conversamos sobre a Policia brasileira, especialmente a carioca... Tem fama internacional...


Parque do Amor, de frente para o mar, tao bonito... Alem de saber cuidar das pracas, os peruanos de Lima tambem sao mais romanticos que os cariocas (quer dizer, nos somos, so que so dentro de casa, porque na rua nao da...) Na foto, o "monumento ao beijo".



Vista do Parque do Amor.


Epa, quem e Monica???


La embaixo, um restaurante em cima do mar. Tambem muito romantico! (mas caro...)


Essa ponta avancando para o mar nao lembra aquela, igualzinha, na Praia de Iracema, em Fortaleza (CE)?


Atencao: so para socios e nao socios. :-)


Aqui tambem tem Gatopardo!


A chicha morada e uma bebida tipica daqui. E muito boa! Feita com "maiz morado" (milho escuro) fervido + cascas de abacaxi + canela. E, curiosamente, e a bebida mais barata nos restaurantes daqui...


E comum uns muchachos ficarem do lado de fora dos onibus berrando seus destinos.


Este e o taxi tipico daqui. Mas, para falar a verdade, escolhi um bem cuidadinho pra tirar a foto. Porque, em sua maioria, eles estao caindo aos pedacos...


Essas sao "reglas caninas" que sao realmente respeitadas. Nao tem aquele bando de coco nas ruas e pracas. Da tranquilamente para deitar na grama da praca publica e descansar, como muita gente aqui faz (e eu tambem fiz!).


AAAHH! So barrinha de cereal para me salvar nos piores momentos de fome...


AAAAI, comodoy... (marca da tabua de passar do albergue...)


As meninas do hotel, Vilma e Irma.


Ruth, a moca que preparava o meu cafe.


E eu, que nem uma crianca, brincando com a cachorra do albergue, a Akira.


Esta era a minha cama no albergue em Lima.


E, para despedir de Lima, esta "chica" 100% peruana (veja atras, a direita), exemplo perfeito de que o que nao falta neste pais sao belezas naturais.

Vou embarcar agora num busao para Pisco. Nao sei como vai ser o esquema de internet por la, mas prometo postar mais fotos assim que possivel!


SERVIÇO:
- Albergue Internacional de Lima - Av. Casimiro Ulloa 328, Miraflores - U$ 10 a diária em quarto coletivo (não inclui café) - www.limahostell.com.pe
- Praia e Parque do Amor: em Miraflores. Descer em direção ao mar pela Av. Diagonal.
- Foto da chica: por incrível que pareça, não é montagem. E a van não estava parada, e sim a uns 80 km/h. Foi pura coincidência e sorte de fotógrafo.




2º dia - Lima

Hoje o dia esta sendo livre e sozinho, do jeito que eu gosto... Vou sair andando por ai sem destino, com mapinha no bolso, pois e assim que realmente se conhece uma cidade. E e assim que eu gosto de conhecer as cidades... Algumas curiosidades:

- Os bancos aqui em Lima funcionam das 9h as 18h. E ainda abrem sabado!!!
- Peguei um taxi e, no caminho, ouvimos uma versao em espanhol de Last Kiss (aquela musica que o Pearl Jam regravou, e todo mundo conhece). hahahaha... muito engracado! O melhor foi o cara cantando junto. So nao tirei foto porque ele era mal encarado... :-)
- Alarmes de carro disparam o tempo todo, toda hora!!! E impressionante. A cada esquina, a cada 5 minutos, sem exagero.
- Para dar coro aos alarmes, buzinas... Muita buzina! Aqui se buzina muito, sem motivo! O mais engracado e que os taxistas buzinam para os "potenciais clientes" (leia-se ai qualquer pessoa andando na rua), entao imagine...
- A policia daqui tambem usa muito o apito. E nao e so para o transito. Qualquer irregularidade vista, eles apitam para chamar a atencao, advertir ou ate mesmo pedir ajuda! E sao apitinhos esquisitos, com varios tons... ;-)


Olha so que praca maneira! Fiquei aqui uma meia hora, so por causa da praca. Realmente, no Brasil (excecao: parte sul) nao existe isso!


Eu fingindo que to fazendo exercicio...


Olha so essa rua... A calcada dos pedestres e separada dos veiculos somente por uma faixa pintada no chao. E todo mundo respeita!


Paris e o cacete! ;-)


Municipalidad de Miraflores.


Tava demorando para eu esbarrar com esses meninos flautistas, tipicos do Peru. Tocavam muito! Fiquei umas tres musicas ali...


Nao adiantou muito pedir...


Essa praga tambem esta por aqui (os paulistanos vao me entender). E, igualzinho a Sao Paulo e a Buenos Aires (onde a praga tambem esta), os "telefonos" engolem suas moedas mesmo que voce nao as tenha utilizado.


Falando nela, olha o predio da Telefonica aqui. Majestoso...


Po, o Shiniashiky ta ate aqui!!!


!!!!!!!


Opa, acho que vou voltar pra casa neste onibus. Passa na Av. Brasil... Irma, voce me pega la?


Embaixada do Brasil aqui. Que coisa horrorosa... E olha o que esta acima do muro: cerca eletrica. Infelizmente, bem tipico do Brasil...


Parece um protesto, mas sao pais esperando ansiosamente os filhos sairem do colegio. :-)


Gasolina aqui e vendida por galao. Um galao tem cerca de 4 litros.


Essas sao as meninas da agencia Aeroparacas, que me ajudaram muito a resolver os proximos passos da minha viagem. Afinal, cheguei aqui com planejamento zero. Enfim, com elas ja garanti o sobrevoo as linhas de Nasca, daqui a 3 dias, e tambem os onibus que vao me levar as proximas cidades. Ufa!



Terminando a tarde, depois de andar mais de 30 quadras pela cidade...


Olha so a homenagem ao nosso grande ator, neste restaurante aqui...


Taxista enlouquecido dentro de um tunel de Lima. Nossa, essa foto foi tirada em meio a muita emocao (e buzinas)!


A noite, somente a noite, fui almocar. Um cara que estava na viola (e que foi um dos motivos de eu escolher aquele restaurante) tocava uma musica para cada nacionalidade presente nas mesas. Como havia peruanos, alemaes, cubanos, ingleses e eu, foi uma festa... Para o Brasil, adivinhe: Aquarela do Brasil!

Depois, fui a pe (umas 8 quadras) ao Larco Mar, um shopping estilo Buzios que ha aqui no bairro de Miraflores. Mas as boates la eram muito caras (40 soles, cerca de 35 reais). Fui entao ao bairro do Barranco para ver a tal da peña, musica tipica daqui, mas nao encontrei nada, fora a bonita Puente de los Suspiros (nao estava com a maquina, por isso nao tem foto). Acabei parando num pub (entrada gratis) onde havia o show de uma banda cover de Beatles, "Submarino Amarillo". Muito bom!

Depois de tudo isso, descanso... Decidi que nao vou mais perder muito tempo em Lima, por mais que eu tenha gostado daqui. E que ainda tem muito pais para conhecer... Amanha comeco o dia aqui, mas parto no fim da tarde para Pisco. Nao sei como vai ser o esquema de internet la, mas prometo postar mais fotos logo!


SERVIÇO:
- Foto "Paris é o cacete": Parque Kennedy, em Miraflores.
- Telefones para ter sempre à mão:
* I-Peru (órgão federal de assistência ao turista)
Em Lima, tel.: 574-8000 - www.peru.org.pe
* Polícia Turística: em Lima, tels.: 460-1060 / 0965 / 4525




1º dia - Rio de Janeiro - Lima

Chegou a hora... O voo sai as 7h da manha do Galeao nesta quarta-feira, 13 de abril. Claro que passei a madrugada terminando de arrumar as coisas...


Nascer-do-sol visto da Linha Amarela, na ida para o aeroporto.


Minha motorista particular (Debora, minha irma!)


Depois de uma demorada escala em Guarulhos (SP), e depois tambem de muito babar no aviao, um Boeing 737-300 da Varig, finalmente cheguei a Lima. Olha a cara amassada...


Uma das primeiras imagens de Lima. Muita buzina!


Rua mantida ate hoje como foi construida: em pedras, pelos Incas. Esta e a entrada do bairro de Miraflores, onde me hospedei no Albergue Internacional de Lima.


Protestinho em Miraflores.


????????



Olha so, vendedor ambulante aqui em Miraflores, so se for cadastrado! Que organizacao...


Mendigo aqui le jornal!


Alguem comentou comigo que aqui nao pode tirar foto de policial, nem de quarteis da policia. Enfim, resolvi arriscar e tirei essa foto, porque achei a viatura muito maneira. O cara nem tava olhando mesmo...


IH! FUI DESCOBERTO!


Como nao fizeram nada, vou continuar com as fotos. Olha esse casal de "agentes de securidad" batendo papo.


Olha isso!


CITY TOUR

Enfim, nas primeiras horas em Lima, embarquei num city tour bem a la turista mesmo. Percebi isso em dois momentos: quando vi aquele bando de branquelos avermelhados e chapeuzinhos na cabeca; e tambem quando a guia perguntou: "quem aqui vai fazer a trilha inca de 4 dias?". De todos os 20 no onibus, eu levantei a mao sozinho... hahaha! O mais engracado era um frances fanfarrao que sentou ao meu lado. Em certo momento, ele me pede a maquina emprestada para "tirar uma foto que ia me gustar". Era da moca a minha frente, no onibus. Resultado acima.


Todo mundo no Rio ficou fazendo terror com "o frio insuportavel que faz no Peru". Olha ai o frio que ta fazendo...


Esta e a Plaza de Armas de Lima. LINDA! Muito bem cuidada. Para variar, como em quase todas as outras cidades do Peru, a praca e cercada pelo Palacio do Governo, a Catedral e a Municipalidad (poder adicional ao da Prefectura, que so existe por aqui). So em Lima existem 49 distritos, cada um com sua Municipalidad. E como se fossem as subprefeituras do Rio, so que aqui elas funcionam.


A homenagem ao Papa Joao Paulo II. 85% dos peruanos sao catolicos.



A Igreja de Sao Francisco de Assis.



Cemiterio no subsolo, onde no passado foram sepultadas mais de 25.000 europeus e mesticos. Os ossos e cranios estao ai a vista, ate hoje.


A biblioteca. Nao parece imagem de joguinho de computador?



Mais igreja.


Ao fundo, o Cierro San Cristobal, um dos simbolos de Lima, que abencoa a cidade. No tour pelo museu do Banco Central, disparou um alarme durante nossa visita. A reacao de todos os latinos: se olham com aquela cara de "ah, disparou". E continuam normalmente olhando as coisas. Adivinhem quem foi o unico que comecou a gritar "FIRE FIRE FIREEEEE!!!!!!" (um norte-americano, claro...)


Abaixo, mais Plaza de Armas (merece!) Realmente, este conceito de praca-mendigo-xixi-perigo-sujeira pelo visto se limita ao Brasil...






A noite, fui a Calle de las Pizzas e comi um taco de chorizo com queso. Muito apimentado. Muito bom!!! Amanha tem mais... besos!


SERVIÇO:
- Absurdo pedágio da Linha Amarela: R$ 3,20.
- Preço da passagem Varig: não sei, porque viajei com milhas Smiles, mas imagino que custe por volta de U$ 600.
- City tour: não pague mais do que S/50 por ele.
- Calle de Las Pizzas: uma pequena rua de pedestres ao lado do Parque Kennedy, em Miraflores.




Viagem ao Peru

Ola, sou Carlos Aranha, jornalista, moro no Rio de Janeiro, Brasil, e nestas ferias de 2005 resolvi embarcar numa aventura pelo Peru. Serao 22 dias percorrendo, sozinho, todo o sul do pais, incluindo ai sua capital, Lima, Machu Picchu e muito mais. Aqui comeca meu diario desta viagem. Acompanhe praticamente ao vivo minhas aventuras pela terra de tantos misterios que atraem milhares de turistas todos os anos.





Dias anteriores da viagem (clique aqui)